Santa Catarina é recordista quando o tema é injúria racial. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2021, o Estado teve o maior registro de casos no Brasil, com 2.865 violências - uma média de 7,8 registros diários.
De agosto de 2018 a agosto deste ano, por exemplo, 133 casos
de injúria racial chegaram ao Poder Judiciário catarinense (PJSC). Neste mesmo
período, 122 pessoas foram condenadas pelo crime.
Em atuação no Vale do Itajaí, o juiz Edison Alvanir Anjos de
Oliveira Junior, titular da 2ª Vara da comarca de Pomerode e coordenador do
Grupo de Trabalho (GT) Diversidades, criado pela Coordenadoria Estadual da
Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), observa que os
números sobre o assunto são escassos no Estado, em que apenas 19,8% da
população se considera preta ou parda, de acordo com dados coletados pelo IBGE
em 2019.
"A população negra sente-se oprimida quando é maioria,
imagina em um local onde para cada dois negros existem oito brancos? Onde há
região que se autodenomina 'Vale Europeu'? Sem sombra de dúvidas a sensação de
impunidade causa opressão e acaba desencorajando vítimas do racismo estrutural
a buscar apoio, acolhimento, enfim, que seus direitos sejam reconhecidos",
observa.
Para o magistrado e coordenador do GT Diversidades, embora a Constituição garanta o acesso à Justiça como direito fundamental do cidadão, em alguns casos o Estado é tão ausente na vida de algumas pessoas que estas não conseguem exercer sua cidadania em plenitude e, mesmo na condição de vítimas, elas não acessam o sistema de justiça por desconhecimento de seus direitos.
"O que eu acredito é que se torna necessário democratizar as instituições
do sistema de justiça, com a finalidade do acolhimento dessas vítimas. E a
democratização somente se dará nessas instituições com a distribuição de cargos
e postos de comando aos negros, às mulheres e à população LGBTQIA+, por
exemplo", pontua.
Um grande e importante passo para dar fim à sensação de
impunidade, que permeia o tema, foi dado em outubro deste ano. O Supremo
Tribunal Federal (STF) decidiu que o crime de injúria racial, por configurar
uma espécie de racismo, é imprescritível. Ou seja, independentemente do momento
em que foi praticada a ofensa, a vítima poderá ver seu agressor processado
criminalmente.?
Censo da Diversidade no PJSC
Para conhecer a realidade dentro do Poder Judiciário
catarinense, o GT Diversidades, o Núcleo de Estudos e Pesquisas (NEP)
Participação Institucional Feminina e as Comissões de Prevenção e Enfrentamento
do Assédio Moral e Assédio Sexual e Discriminação de primeiro e de segundo grau
(CPEAMAS) prepararam três questionários em que, de forma totalmente anônima e
sigilosa, magistrados(as), servidores(as), estagiários(as), residentes
judiciais e terceirizados(as) responderão a questões que servirão de subsídio
para mapear a percepção e as experiências dos integrantes da Justiça sobre
assédio moral, sexual, questões étnico-racionais, de gênero e sexualidade.
O resultado da pesquisa será compilado em um relatório e entregue à Presidência do TJ no início do próximo ano. A percepção de todos que compõem o PJSC vai ajudar a traçar políticas institucionais de prevenção e de enfrentamento dos temas abordados, refletindo em um ambiente de trabalho mais saudável e também na promoção da justiça social.
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